Aperto o 12 que é o seu andar, não vejo a hora de te reencontrar, continuar aquela conversa que tivemos ontem... Não ouvi sua voz, mas seu brilho e minha admiração fizeram nossa comunicação fluir.
Seu cheiro, sua imagem, seu cabelo e sua semelhança com o perfeito me fez declarar todo meu amor pelo momento ímpar que fazíamos parte.
Na mochila estou levando uns livros do poetinha, uns discos do titãs e umas vontades a parte.
Lembrando de Vinícius de Moraes comecei a pensar que a vida realmente é a arte dos encontros, embora haja tantos desencontros pela vida.
E mais, que os encontros são presentes que o vento nos dá, sem devoluções ou troca, apenas com a condição de que estejamos preparados para receber e abrir o pacote.
Eu estou, e hoje, penso que seria estranho se eu não me apaixonasse por você, e que meu maior presente, é saber que o elevador está me levando para a porta do seu apartamento, e que novamente poderei acreditar num mundo melhor, no instante que você sorrir...
Ah, antes que eu me esqueça, trouxe flores que se aparecem muito com você.
Chamo elas de perfeitas...
-
Petherson Cardoso
terça-feira, 14 de outubro de 2014
por que essa distância entre nós? este espaço cheio de idiotas que nos separa, o que é isso? por que as deusas mais perfeitas sempre nos aparecem nos lugares medíocres? e lotados? eu sinto que pode ser você. e eu tenho tanta quase certeza disso que eu vou me concentrar pra que você se materialize aqui do meu lado. não que eu seja grandes coisas. não que eu tenha poderes. não sou. não tenho. mas você tem. e é por isso que você vai fazer isso por mim. vem logo. pule os idiotas. tô te esperando no bar.
- J.Castro
O QUE ME MOVE É...
por Tico Sta Cruz (extraído do livro Tesão)
O que me move é o desejo. O desejo sem culpa, outras vezes até inconsequente.
Como acelerar em alta velocidade numa estrada escura e cheia de curvas. Minha mente imoral, indecente. Vai criando fantasias, e o sangue do anseio de colocá-las em prática escorre pelos cantos da minha boca, como um animal vadio, e seus instintos primitivos incontroláveis e assassinos, na violência que lhe conduz até que sua vitima seja deixada em pedaços.
Quero te invadir. Quero tirar proveito de cada sentido do que lhe pertence. Como lâmpadas acesas jogadas dentro da piscina ou nas escadas molhadas por uma chuva que fui eu que inventei. Tenho tudo aqui na minha cabeça. Inclusive a cor do seu batom, da sua meia, do seus pelos, do bico dos seus seios.
Tenho você presa dentro do elevador, de frente para os espelhos. Quero sentir seu cheiro. Respirar colado na sua nuca e percorrer com meus lábios cada gota que consegui tirar do seu suor. Quero melar meus dedos em ti.
O que me move é o perigo. A ação por impulso. O comportamento lascivo. O prazer de dar prazer. O prazer escondido, aquele que sinto ao destronar o inimigo. Estar vivo e não ajoelhar pedindo perdão pelas noites em claro que passei envergonhando algum Deus. Caminhar no parapeito de um arranha-céu, fingindo estar bêbado e tendo o coração pulsando como o de um bandido ao apontar a arma para sua própria cabeça. O desespero por não conseguir mais esperar, por querer que seja imediatamente. Por te colocar nua, largada num colchão sem lençol, e me masturbar olhando dentro dos seus olhos. Ostentar meu desprezo pelas janelas abertas do quarto. E caminhar até que entre nós exista apenas o espaço de uma estocada forte. Quero que você não seja capaz de sufocar o grito. Não seja capaz de controlar seus movimentos. Que ao fechar os olhos para me sentir por dentro, crave as unhas no ladrilho do banheiro.
Porque depois, vou amarrar seus punhos pelas costas. E hei de brincar com as pedras de gelo do copo do seu uísque. Me arrastando por entre suas coxas feito um lagarto. Me percebendo como um adolescente pervertido.
Quero o privilégio do contato, com a ponta eriçada do seu peito lindo. Toda arrepiada, sem qualquer pudor em se entregar sem destino.
Pois lhe escrevo agora, imaginando e me embrenhando em cada momento seu.
Se pudesse me olhar então, lhe mostraria o poder de estar em suas mãos. Faria questão de que me tocasse com seus lábios e me tivesse próximo do seu nariz. Sentindo o cheiro do meu desejo, e o gosto do que farei jorrar quando estiver estirado aos seus pés. A pequena morte.
O que me leva, é a incerteza. E na sua indecisão, me farei presente, pois mesmo que isso nada represente, aqui aconteceu.
Eu te devorei como um esfomeado que conseguiu fugir do campo de concentração de uma dessas novas guerras. Antes aprisionado ao monitor, agora com as mãos sujas do seu gozo.
Imaginei cada detalhe do que jamais seria capaz de transcrever.
Você me conduziu...
Me deixa te conduzir dessa vez.
por Tico Sta Cruz (extraído do livro Tesão)
O que me move é o desejo. O desejo sem culpa, outras vezes até inconsequente.
Como acelerar em alta velocidade numa estrada escura e cheia de curvas. Minha mente imoral, indecente. Vai criando fantasias, e o sangue do anseio de colocá-las em prática escorre pelos cantos da minha boca, como um animal vadio, e seus instintos primitivos incontroláveis e assassinos, na violência que lhe conduz até que sua vitima seja deixada em pedaços.
Quero te invadir. Quero tirar proveito de cada sentido do que lhe pertence. Como lâmpadas acesas jogadas dentro da piscina ou nas escadas molhadas por uma chuva que fui eu que inventei. Tenho tudo aqui na minha cabeça. Inclusive a cor do seu batom, da sua meia, do seus pelos, do bico dos seus seios.
Tenho você presa dentro do elevador, de frente para os espelhos. Quero sentir seu cheiro. Respirar colado na sua nuca e percorrer com meus lábios cada gota que consegui tirar do seu suor. Quero melar meus dedos em ti.
O que me move é o perigo. A ação por impulso. O comportamento lascivo. O prazer de dar prazer. O prazer escondido, aquele que sinto ao destronar o inimigo. Estar vivo e não ajoelhar pedindo perdão pelas noites em claro que passei envergonhando algum Deus. Caminhar no parapeito de um arranha-céu, fingindo estar bêbado e tendo o coração pulsando como o de um bandido ao apontar a arma para sua própria cabeça. O desespero por não conseguir mais esperar, por querer que seja imediatamente. Por te colocar nua, largada num colchão sem lençol, e me masturbar olhando dentro dos seus olhos. Ostentar meu desprezo pelas janelas abertas do quarto. E caminhar até que entre nós exista apenas o espaço de uma estocada forte. Quero que você não seja capaz de sufocar o grito. Não seja capaz de controlar seus movimentos. Que ao fechar os olhos para me sentir por dentro, crave as unhas no ladrilho do banheiro.
Porque depois, vou amarrar seus punhos pelas costas. E hei de brincar com as pedras de gelo do copo do seu uísque. Me arrastando por entre suas coxas feito um lagarto. Me percebendo como um adolescente pervertido.
Quero o privilégio do contato, com a ponta eriçada do seu peito lindo. Toda arrepiada, sem qualquer pudor em se entregar sem destino.
Pois lhe escrevo agora, imaginando e me embrenhando em cada momento seu.
Se pudesse me olhar então, lhe mostraria o poder de estar em suas mãos. Faria questão de que me tocasse com seus lábios e me tivesse próximo do seu nariz. Sentindo o cheiro do meu desejo, e o gosto do que farei jorrar quando estiver estirado aos seus pés. A pequena morte.
O que me leva, é a incerteza. E na sua indecisão, me farei presente, pois mesmo que isso nada represente, aqui aconteceu.
Eu te devorei como um esfomeado que conseguiu fugir do campo de concentração de uma dessas novas guerras. Antes aprisionado ao monitor, agora com as mãos sujas do seu gozo.
Imaginei cada detalhe do que jamais seria capaz de transcrever.
Você me conduziu...
Me deixa te conduzir dessa vez.
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
"(...) Porque vivemos em uma época de paixões sociais. A grande tragédia de nossa época consiste no choque da personalidade individual com a comunidade. Para alcançar o nível de heroísmo e custear o terreno dos grandes sentimentos que dão vida, é necessário que a consciência se sinta ganha por grandes objetivos. Toda catástrofe individual ou coletiva é sempre uma pedra de toque, pois desnuda as verdadeiras relações pessoais e sociais. Hoje em dia é necessário provar este mundo. O poeta, por exemplo, se sentiu independente do burgues e até se enfrentou com ele. Mas quando o assunto se tratou da Revolução, se mostrou um parasita até a medula dos ossos. A psicologia do indivíduo assim mantido e dedicado a ser sanguessuga humano, não tem rastros de bondade de caráter, respeito ou devoção. Hoje em dia os "mocinhos" estudam ainda em livros as custas do sacrifício dos explorados, se exercitam em periódicos e criam "novas tendências". Mas quando uma revolta se produz seriamente, em seguida, descobrem que a arte se encontra nas cabanas, nos buracos mais reconditos, onde fazem ninho os cupins. É preciso derrubar a burguesia porque é ela quem fecha o caminho a cultura. A nova arte não só desnudará a vida, mas lhe arrancará a pele. Amar a vida com o afeto superficial do deleitante, nao é muito mérito. Amar a vida com os olhos abertos, com um sentido crítico cabal, sem adornos, tal como nos aparece, com o que oferece, essa é a proeza. A proeza também é realizar um apaixonado esforço por sacudir aqueles que estão entorpecidos pela rotina, obrigar-lhes a abrir os olhos e fazer-lhes ver o que se aproxima."
León Trotsky
León Trotsky
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
"Existe sempre alguma coisa ausente", Pequenas Epifanias - Caio Fernando Abreu
Paris — Toda vez que chego a Paris tenho um ritual particular. Depois de dormir algumas horas, dou uma espanada no rodenirterceiromundista e vou até Notre-Dame. Acendo vela, rezo, fico olhando a catedral imensa no coração do Ocidente. Sempre penso em Joana d’Arc, heroína dos meus remotos 12 anos; no caminho de Santiago de Compostela, do qual Notre-Dame é o ponto de partida — e em minha mãe, professora de História que, entre tantas coisas mais, me ensinou essa paixão pelo mundo e pelo tempo.
Sempre acontecem coisas quando vou a Notre-Dame. Certa vez, encontrei um conhecido de Porto Alegre que não via pelo menos á2o anos. Outra, chegando de uma temporada penosa numa Londres congelada e aterrorizada por bombas do IRA, na época da Guerra do Golfo, tropecei numa greve de fome de curdos no jardim em frente. Na mais bonita dessas vezes, eu estava tristíssimo. Há meses não havia sol, ninguém mandava notícias de lugar algum, o dinheiro estava no fim, pessoas que eu considerava amigas tinham sido cruéis e desonestas. Pior que tudo, rondava um sentimento de desorientação. Aquela liberdade e falta de laços tão totais que tornam-se horríveis, e você pode então ir tanto para Botucatu quanto para Java, Budapeste ou Maputo — nada interessa. Viajante sofre muito: é o preço que se paga por querer ver “como um danado”,feito Pessoa. Eu sentia profunda falta de alguma coisa que não sabia o que era. Sabia só que doía, doía. Sem remédio.
Enrolado num capotão da Segunda Guerra, naquela tarde em Notre-Dame rezei, acendi vela, pensei coisas do passado, da fantasia e memória, depois saí a caminhar. Parei numa vitrina cheia de obras do conde Saint-Germain, me perdi pelos bulevares da le dela Cité. Então sentei num banco do Quai de Bourbon, de costas para o Sena, acendi um cigarro e olhei para a casa em frente, no outro lado da rua. Na fachada estragada pelo tempo lia-se numa placa: “II y a toujours quelque choe d’abient qui me tourmente” (Existe sempre alguma coisa ausente que me atormenta) — frase de uma carta escrita por Camille Claudel a Rodín, em 1886. Daquela casa, dizia a placa, Camille saíra direto para o hospício, onde permaneceu até a morte. Perdida de amor, de talento e de loucura.
Fazia frio, garoava fino sobre o Sena, daquelas garoas tão finas que mal chegam a molhar um cigarro. Copiei a frase numa agenda. E seja lá o que possa significar “ficar bem” dentro desse desconforto inseparável da condição, naquele momento justo e breve — fiquei bem. Tomei um Calvados, entrei numa galeria para ver os desenhos de Egon Schiele enquanto a frase de Camille assentava aos poucos na cabeça. Que algo sempre nos falta — o que chamamos de Deus, o que chamamos de amor, saúde, dinheiro, esperança ou paz. Sentir sede, faz parte. E atormenta.
Como a vida é tecelã imprevisível, e ponto dado aqui vezenquando só vai ser arrematado lá na frente. Três anos depois fui parar em Saint-Nazaire, cidadezinha no estuário do rio Loire, fronteira sul da Bretanha. Lá, escrevi uma novela chamada Bem longe de Marienbad , homenagem mais à canção de Barbara que ao filme de Resnais. Uma tarde saí a caminhar procurando na mente uma epígrafe para o texto. Por “acaso”, fui dar na frente de um centro cultural chamado (oh!) Camille Claudel. Lembrei da agenda antiga, fui remexer papéis. E lá estava aquela frase que eu nem lembrava mais e era, sim, a epígrafe e síntese (quem sabe epitáfio, um dia) não só daquele texto, mas de todos os outros que escrevi até hoje. E do que não escrevi, mas vivi e vivo e viverei.
Pego o metrô, vou conferir. Continua lá, a placa na fachada da casa número 1 do Quai de Bourbon, no mesmo lugar. Quando um dia você vier a Paris, procure. E se não vier, para seu próprio bem guarde este recado: alguma coisa sempre faz falta. Guarde sem dor, embora doa, e em segredo.
O Estado de S. Paulo, 3/4/1994
Sempre acontecem coisas quando vou a Notre-Dame. Certa vez, encontrei um conhecido de Porto Alegre que não via pelo menos á2o anos. Outra, chegando de uma temporada penosa numa Londres congelada e aterrorizada por bombas do IRA, na época da Guerra do Golfo, tropecei numa greve de fome de curdos no jardim em frente. Na mais bonita dessas vezes, eu estava tristíssimo. Há meses não havia sol, ninguém mandava notícias de lugar algum, o dinheiro estava no fim, pessoas que eu considerava amigas tinham sido cruéis e desonestas. Pior que tudo, rondava um sentimento de desorientação. Aquela liberdade e falta de laços tão totais que tornam-se horríveis, e você pode então ir tanto para Botucatu quanto para Java, Budapeste ou Maputo — nada interessa. Viajante sofre muito: é o preço que se paga por querer ver “como um danado”,feito Pessoa. Eu sentia profunda falta de alguma coisa que não sabia o que era. Sabia só que doía, doía. Sem remédio.
Enrolado num capotão da Segunda Guerra, naquela tarde em Notre-Dame rezei, acendi vela, pensei coisas do passado, da fantasia e memória, depois saí a caminhar. Parei numa vitrina cheia de obras do conde Saint-Germain, me perdi pelos bulevares da le dela Cité. Então sentei num banco do Quai de Bourbon, de costas para o Sena, acendi um cigarro e olhei para a casa em frente, no outro lado da rua. Na fachada estragada pelo tempo lia-se numa placa: “II y a toujours quelque choe d’abient qui me tourmente” (Existe sempre alguma coisa ausente que me atormenta) — frase de uma carta escrita por Camille Claudel a Rodín, em 1886. Daquela casa, dizia a placa, Camille saíra direto para o hospício, onde permaneceu até a morte. Perdida de amor, de talento e de loucura.
Fazia frio, garoava fino sobre o Sena, daquelas garoas tão finas que mal chegam a molhar um cigarro. Copiei a frase numa agenda. E seja lá o que possa significar “ficar bem” dentro desse desconforto inseparável da condição, naquele momento justo e breve — fiquei bem. Tomei um Calvados, entrei numa galeria para ver os desenhos de Egon Schiele enquanto a frase de Camille assentava aos poucos na cabeça. Que algo sempre nos falta — o que chamamos de Deus, o que chamamos de amor, saúde, dinheiro, esperança ou paz. Sentir sede, faz parte. E atormenta.
Como a vida é tecelã imprevisível, e ponto dado aqui vezenquando só vai ser arrematado lá na frente. Três anos depois fui parar em Saint-Nazaire, cidadezinha no estuário do rio Loire, fronteira sul da Bretanha. Lá, escrevi uma novela chamada Bem longe de Marienbad , homenagem mais à canção de Barbara que ao filme de Resnais. Uma tarde saí a caminhar procurando na mente uma epígrafe para o texto. Por “acaso”, fui dar na frente de um centro cultural chamado (oh!) Camille Claudel. Lembrei da agenda antiga, fui remexer papéis. E lá estava aquela frase que eu nem lembrava mais e era, sim, a epígrafe e síntese (quem sabe epitáfio, um dia) não só daquele texto, mas de todos os outros que escrevi até hoje. E do que não escrevi, mas vivi e vivo e viverei.
Pego o metrô, vou conferir. Continua lá, a placa na fachada da casa número 1 do Quai de Bourbon, no mesmo lugar. Quando um dia você vier a Paris, procure. E se não vier, para seu próprio bem guarde este recado: alguma coisa sempre faz falta. Guarde sem dor, embora doa, e em segredo.
O Estado de S. Paulo, 3/4/1994
sexta-feira, 26 de julho de 2013
Onde andará Dulce Veiga? - Caio Fernando Abreu
"Eu deveria cantar.
Rolar de rir ou chorar, eu deveria, mas tinha desaprendido essas coisas."
Pág. 1, Onde Andará Dulce Veiga? - Caio Fernando Abreu
Rolar de rir ou chorar, eu deveria, mas tinha desaprendido essas coisas."
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