sábado, 17 de março de 2012

Limite Branco - Caio Fernando Abreu


Eu não me conheço. E tenho medo de me conhecer. Tenho medo de me esforçar para ver o que há dentro de mim e acabar surpreendendo uma porção de coisas feias, sujas. O que aconteceria, então? O orgulho de ter conseguido chegar perto de meu coração? Ou uma grande humildade, uma humildade de cão faminto, rabo entre as pernas, costelas aparecendo? Não sei, não sei — minha cabeça quase estala quando faço perguntas, meu pensamento escorrega, se desvia, foge para longe, como se ele também tivesse medo da resposta. E talvez nem seja preciso coragem. Talvez seja necessário apenas um breve impulso, como aquele que me fazia mergulhar de repente na água gelada do açude da fazenda. E eu nem era corajoso por fazer isso, apenas tinha as esquecido por um instante de mim, do meu corpo. 

sábado, 10 de março de 2012

Um Livro de Perguntas - Cristovam Buarque


O pior da morte é ser eterna ou sem sonhos?

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É mais pecado jurar amor de mentira ou ódio de verdade?

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Mais pesam as sombras ou os sonhos?

sábado, 3 de março de 2012


Meus exageros me sobem à cabeça

numa velocidade encantadora, assim, 
desmaio nos meus próprios braços pra...
Essa precocidade e infantilidade que sou.
Essa dualidade que me acompanha. 

(Mau)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Caixinha de música (Morangos Mofados) - Caio Fernando Abreu





E sabia que ao tragar dizia ainda qualquer coisa como “está bem, se você não quer ajuda fique aí sozinho, meu bem, vou fumar o meu cigarrinho e esperar que ou você ou eu cansemos, e se você cansar primeiro, você fala, e eu cansar primeiro, durmo outra vez e amanhã acordamos e tomamos café como todas as manhãs, meu bem, e não se fala mais nisso, está o.k. assim?”.

Carta a Jacqueline Cantore - Caio Fernando Abreu





A solidão às vezes é tão nítida como uma companhia. Vou me adequando, vou me amoldando. Nem sempre é horrível. As vezes é até bem mansinha. Mas sinto tão estranhamente que amor acabou. [.. .] Repito sempre: sossega, sossega — o amor não é para o teu bico. 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Carta a José Márcio Penido - Caio Fernando Abreu


Depois,  penso  também  naquele  quase  velho poema do John Lennon: “I don’t believe in yoga/ I don’t believe in mantra/ I don’t believe in God/ I don’t believe in Freud/ I don’t believe in drugs/ I don’t believe in sex/ I don’t believe in Beatles” e termina com um acorde profundo de guitarra e um “I just believe in me”. Mas nem isso.